Luiz Eduardo Greenhalgh, do PT, testemunhou em defesa de Delúbio "Recursos Não Contabilizados" Soares, no processo do mensalão. Negou, é claro, a existência do esquema de compra de votos pelo governo de Lula I, mas surpreendeu com a lógica utilizada. Disse:
"Não existiu o mensalão, eu tenho certeza disso. Não houve nenhum tipo de iniciativa de recebimento de valores de pagamento. Pra provar a demonstração disso é a minha não eleição à presidência da Câmara..."
A lógica do advogado e ex-deputado não vai muito longe. Quando alguém não recebe uma mercadoria, não quer dizer que não tenha solicitado ou pago pela mesma. Há, digamos assim, fatores circunstanciais diversos que podem afetar o resultado da operação. O comprador pode não especificar bem o que deseja, ou o vendedor pode ser um picareta que não entregue o serviço combinado e, quem sabe, até já quitado.
Ademais, na ocasião, em uma incrível trapalhada do partido, o PT lançou dois candidatos simultaneamente à presidência da Câmara: o próprio Greenhalgh e Virgílio Guimarães. Deu no que deu - Severino Cavalcanti venceu a disputa e ficou com as batatas, enfim. Nunca antes neste país...
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