Os anos dirão como nos lembraremos desses tempos e das incríveis figuras que governam o país. Uma coisa, porém, é certa: nunca na história desse país um Presidente da República foi capaz de, simultaneamente, não saber de tanta coisa relevante que passava-se sob suas barbas (é, a gente não vai se esquecer do mensalão) e falar sobre tanta coisa da qual não fazia idéia.
Pois Lula, agora, vem dizer que não há indícios de que houve fraude nas eleições do Irã, o que se justificaria pela vitória ampla de Ahmadinejad. Como se vitórias amplas não fossem típicas de falsas democracias, como se verificava, por exemplo, no Iraque de Saddam Hussein e tantas outras ditaduras mal-disfarçadas. Mas Lula não deve saber disso.
Como não deve saber que causa, no mínimo, perplexidade a velocidade da apuração dos votos no Irã: afinal, uma contagem manual, num país com mais de 40 milhões de eleitores, que proclama o vencedor poucas horas após o pleito é realmente espantosa. São seguramente os melhores - ou, ao menos, os mais rápidos - contadores de votos do planeta. Nunca antes na história do Irã, deve ter dito um orgulhoso Ahmadinejad.
O Irã conflagrado, com pessoas morrendo, e o "cara" diz que é apenas uma rusga de torcedores de futebol, que é dor de cotovelo da oposição, trazendo uma pouco mais de vergonha para as relacões exteriores do Brasil, tão aviltadas pelo esmero contante da turma de Amorim em flertar com as ditaduras do mundo. Nunca antes, tenho certeza, nunca antes.
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