sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Zelaya, um golpista

Parte da imprensa nacional, com atraso preocupante e perceptível embaraço, percebeu que o que aconteceu em Honduras não é o que se possa chamar de golpe de estado. Com raríssimas exceções, comprou o discurso pronto do "presidente de pijamas expulso pelo exército em um pequeno país da América Latina" e deu-se ao luxo de não trabalhar.
Não é o caso de organizar interpretações obscuras ou construir complexas abstrações para compreender os fatos. Há uma constituição em Honduras e o que se viu, até agora, foi a defesa da ordem constitucional pelas instituições do país, escarnecendo, sem intenção, de países mais ricos e (muito) menos democráticos do que se poderia supor. Zelaya estava praticando um golpe quando foi abatido em pelo voo e agora tem o apoio da maior democracia do mundo e da imprensa livre? Algo está muito errado.
Se a maior parte da imprensa - e alguns governos relevantes, é claro, mas aí entram outros interesses impolutos em cena -, tivesse se dado ao trabalho de verificar o que de fato ocorreu em Honduras, sem comprar um conjunto pela fotografia picareta estampada na capa, possivelmente não estaríamos hoje nesse dilema sobre o que fazer com Zelaya, Micheletti e o futuro do país.
Ainda assim, é razoável constatar que talvez não sejamos mais aptos que os hondurenhos para decidir sobre o futuro deles... E daí entramos na questão da interferência desmedida de Lula, Amorim e gloriosa trupe nos assuntos de outros países.

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